terça-feira, 26 de outubro de 2010

Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo.

Você tem fome de que?

  Às vezes é preciso dar de comer à alegria.
Pra que ela não amanheça morta na gaiola.

"A cada dia útil, eu me sinto mais inútil."


Na contramão de todo o sagrado. Não, não há
epifania.
Espírito constantemente inquieto:
Ufania.
E – vejam só – é quietude:
Eufonia.

“Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui.” 

/Gonzaguinha

Raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. ( Clarice Lispector.

De onde vem a calma? o que fazer com  o desejo não realizado, a palavra não dita o abraço não dado? O que eu faço aqui, quando tudo o que eu mais quero é estar lá?

'De vez enquando eu vou ficar esperando voce numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praca, entao meus braços não serao suficientes para abracar voce e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. So olhando voce, sem dizer nada, so olhando e pensando: meu Deus, como voce me doí de vez enquando!'
(Caio Fernando Abreu)

Eu me formei. Todas as garotas dançaram valsa com os pais, mas eu dancei com o meu irmão. Foi engraçado, já que nenhum de nós sabia o que fazer. Ele me rodopiava e eu me sentia a estrela da pista de dança, nem liguei de incomodar os outros convidados. Tinham era inveja da nossa criatividade. Eu sorri feliz das minhas conquistas, de ter chegado lá. Mesmo que você nem soubesse que lá era meu destino, mesmo que você nem parecesse se importar. E eu não senti sua falta.Não é triste isso? Eu já te chamei de pai. Mas buscando passado e revivendo emoções, essa é uma palavra digna de merecimento. E você, longe de merecer, parece desprezá-la. Ou talvez apenas ignore seu significado. E eu, que nunca fui pai, expliquei diversas vezes qual era o seu papel na minha vida. Olha, você tem que se preocupar com as minhas notas do colégio e o meu programa de tv preferido. Você tem que me amar, porque é o que os pais fazem. E quando você sentir esse amor, me liga e diz isso. Sente minha falta de vez em quando e me manda um e-mail só pra comentar que ouviu a música que eu gosto e lembrou de mim. Ou melhor, não faça nada disso. Nada vai me recuperar.Pior que o ódio, só a indiferença. Eu caminho entre esses dois estados numa rapidez inconclusiva, esquecendo da sua existência 364 dias por ano e odiando você quando sua voz ao telefone estraga meu dia. Esse é o seu problema: a mania de deixar as coisas pela metade. Por que você não desaparece pra sempre? Sua vida permaneceria igual sem mim. Confesso que chorei lendo o cartão de aniversário que você me mandou. Mas agora é tarde. Eu não vejo você há mais de um ano e você vem com palavras fáceis, achando que pode mudar uma vida inteira em poucos minutos... Não chorei de saudades, nem de arrependimento. Chorei de angústia, mágoa. Raiva, até. Você tem atrapalhado meus planos de independência, atormenta minha vontade de ser confiante. Eu nem acredito mais nos homens por sua causa: E se um dia eu resolver me casar e me deparar com um homem como você? Eu nunca me apaixonei. Nunca confiei em ninguém. E é tudo culpa sua.Você nunca mais me viu. Não sabe mais a cor dos meus cabelos, se engordei ou emagreci... Não sabe que mudei meu curso de faculdade, mudei meus sonhos. Desisti de sonhos. O tempo continua correndo, tenho tanta coisa presa em mim. Só queria que você soubesse que eu não precisei de você. Que a sua vingança contra minha mãe não deu certo. Que descontar nos filhos suas frustrações só fez com que eu ficasse mais amarga, mais descrente. Sou seletiva e não sei manter amizades.Isso te faz melhor? Diminuir todos à sua volta, te fez maior? Essa sua solidão ridícula é o que você queria? O sonho da sua vida era passar o natal sozinho assistindo tv? Então, parabéns. Você cumpriu sua missão no mundo. Chegou a hora de você sumir de vez.  

Veronica H.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

1997

31 de Dezembro de 1997, naquela noite que a conheci, seu nome era tão lindo como seu significado, Lua. Lua tinha seus 20 e poucos anos, seus cabelos eram da mesma cor de seus olhos cor de mel, ah aqueles olhos,como me lembro daquele olhar intenso, que me deixara arrepiado. Aquele seu sorriso me deixava com vontade de sorrir também, nunca mais vi um igual e tão lindo outra vez! Suas feições que me deixava curioso sobre você e seu passado, seu jeito de andar,seu jeito de ser, de falar me fez acreditar outra vez que a espontaneidade existia. Sua voz, ah aquela sua voz que  me deixava louco, uma mistura suave de rouquidão e doçura,doce,doçura essa era a palavra perfeita  que se encaixava nos seus gestos,no seu jeito. Tão doce quanto aquela musica que tocava e enchia meu coração de desejos de você. Era véspera de Ano novo, quase todos de branco,mas você não ficaria tão perfeita se não estivesse com aquele vestido rosa,pensei: "Que Deus te envie muito amor". Estava tão atento a você que não percebi que tinham começado a contagem regressiva 5,4,3,2,1...
Fogos encheram céu de luzes coloridas era impressionante como conseguia encher meu peito de emoção, "Tchau ano velho,que ano novo venha com força e muita fé" pensei.
Pessoas começaram a me abraçar,mas eu procurava uma especial,depois de um longo tempo senti seu perfume no ar, ela se aproximava cada vez mas de mim, não sei se ela percebeu minha reação um pouco tremula,mas ela me de um abraço tão forte que já não sentia mas nada,ouvi sua voz suave bem perto do meu ouvido:
- Feliz ano novo! Que Deus te envia as melhores vibrações.
- Eu desejo o mesmo pra você.
Quando já estava se distanciando de mim, indo embora do meu abraço perguntei:
- Como você se chama?
- Lua.
- Lindo nome.
- Obrigada.
- Espero te encontrar outra vez Lua.
- Algum dia, em algum momento muito bonito de nossas vidas,isso vai acontecer.
  Lua se virou saiu andando, me deixando confuso com suas palavras ,mas pensei comigo e disse baixinho:
- Isso vai acontecer.
Nunca mas vi Lua outra vez, mas em todo ano novo, à meia-noite olho pro céu e vejo a Lua, me lembro dela e repito baixinho para mim mesmo todas as vezes:
- Isso ainda vai acontecer.

Marcela
Polis.

domingo, 24 de outubro de 2010

...deito a cabeça no seu colo ou você deita a cabeça no meu, não precisamos dizer nada por um bom tempo, quase não falamos nada, o silêncio já falava e explicava tudo, toda a saudade que andava sentindo de você, abraçados um no outro esquecendo o mundo lá fora, e mesmo que não vá se repetir outra vez, foi lindo, lindo seu sorriso, linda a sua voz, lindo tudo o que dizia respeito a você naquele momento, foi bom ouvir: 
   - ''estava com saudades de você.'' outra vez. Mesmo que quisesse mesmo ouvir é,
   - ''sinto sua falta, volta pra mim, menininha ... ''

Marcela Polis

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Máscaras

Só existia uma coisa em que eles não sabia sobre mim. Enquanto por fora me mostrei fraca e sensível a ponto de desistir, eles não sabiam que por dentro, minha força e minha fé cresciam de forma assustadora. E enquanto eles ainda acreditam nisso. Eu só me preocupo em não deixa minha máscara cair. E vai ser sempre assim.

Marcela Polis

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quer saber, no fundo eu tenho muita pena de você, como pode alguém desperdiçar tanto amor assim? cadê seu potencial em que tanto fala, cadê sua fonte de equilíbrio querido? me desculpa dizer, mas uma pessoa não consegue viver tanto tempo assim, sem amor. Seu tempo vai acabar, seu tempo está acabando. E quando você estiver procurando e precisando dele, aí meu querido já era, vai ser tarde demais, pois todos aqueles que você mandou embora, que você jogou fora como um lixo qualquer, não vão mais estar disponíveis pra você, nunca mais estarão, e se procurar algo novo, poderá até encontrar alguma coisa, mais não será mais verdadeiro, nunca mais será. Então é por isso que no fundo, eu sinto muita pena de você, e se fosse você, bem lá no fundo, começaria a sentir também.


M.P

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sempre

© adorável psicose
Maira Gall