domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Solidão é o medo da voz não sair quando se precisa. E a gente precisa tanto: gritar, para todos, que sim, somos autossuficientes; que nos bastamos; que não precisamos de nada a não ser do amor. Solidão é quando isso tudo virou um grande nada e a gente não se conforma e insiste em atar as mãos e ficar no canto do quarto, chorando, como se aliviasse a dor. E alivia? Acho que só no momento, só quando a chuva ameaça, só quando ninguém vê. Solidão é quando estou no meio de tantos, me sinto como tantos, me enxergo em tantos, estou em tantos, mas me sinto vazio, nu, despido; é quando as pessoas me olham de canto de olho e dizem: sai. E eu sempre saio, fujo, vou. Solidão é o céu em tardes superaquecidas em que os pássaros preferem o descanso a ficar vagueando pelo céu: solidão é quando todos falam mas ninguém compreende, quando o frio aquece mais do que o calor, é quando o outono vira primavera e a boca consente como quem diz: eu aguento. Mas você não aguenta a pancada, os braços feridos, os lábios esmagados. Você não aguenta a sobrevivência, o jugo, a traição. Você não aguenta o alarde, o alarme, a fome e a guerra batendo à sua porta, te convidando a sair da sua zona de conforto. Solidão é quando teus atos não se encaixam, não se alinham, não te é (…) Solidão é quando você não se é."
- Floresinexatas.

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