segunda-feira, 20 de maio de 2013


"Eu queria chorar nos teus ombros e dizer que eu também sofri muito com tudo isso e que eu voltaria, caso houvesse solução pra nós dois e que a cama ainda tem a ausência do seu corpo nas segundas-feiras e que os recitais de poemas não são os mesmos e que, quando eu vou ao cinema sozinho eu ainda penso em você fazendo palhaçadas e comendo pipocas no ar. Eu me lembro de você rindo o filme inteiro e não me deixando nem sequer prestar atenção na comédia mais-que-romântica que eu havia pagado 20 reais para ver. Ou pelo menos tentar ver… Eu queria tanto chorar no teu ombro e dizer que sim, que eu te perdoo pela traição e te perdoo pela atenção que eu nunca recebi completamente e que eu estaria disposto a esquecer e voltar e recomeçar, porque é assim que é a vida: recomeços. Eu queria tanto te contar que não consigo mais dar risada totalmente e que quando me falam de amores que não deram certos eu começo a chorar compulsivamente e fico no canto, me lamentando pelo que não aconteceu. Pela felicidade que não foi. Eu queria te contar que não consigo mais ir ao supermercado sem lembrar do dia que você caiu e derrubou todos os doces da prateleira e que as minhas idas ao psicólogo perderam a graça já que você não ri de mim por eu ser tão bipolar e chato e chato e bipolar… Eu queria te contar que meus pais me expulsaram de casa e que demorei 3 semanas para arrumar um apartamento ou um lugar que não me lembrasse tanto você, e que as paredes da sala têm algumas colagens com poemas que você me recitou naquele dia que nos vimos na avenida paulista, mais ou menos umas 3 da tarde, num frio congelante. Eu me lembro de ter sorrido e ter dito algo como “ele gosta de Drummond” e ter ouvido de volta “eu gosto sim por quê?”, eu senti que a partir daquele momento minha alma não seria mais sozinha, ou pelo menos não tanto assim. Faz um ano desde que nossos olhares se cruzaram entre tantos outros, faz um ano que meu peito tem sido socado constantemente, faz um ano que eu não sei o que é ser tristeza e você me ensinou o que nenhum livro de poesia me ensinaria sobre o amor: ele vale a pena mesmo que a dor da ruptura seja infinitamente maior, como agora. Eu queria te contar que estou mais triste do que ontem e que tenho pensado em suicídio, mesmo que pra isso eu tenha que ter uma coragem filha da puta, coisa que eu não tenho. E que a janela do quarto me convida às vezes pra cair lá embaixo e assim me dizer sobre a morte explícita. Eu queria chorar nos teus ombros e dizer que ninguém nunca entenderá meus textos sobre você e que eles lerão e dirão sobre o impuro, o incerto, o insano… Eu queria chorar no seu ombro por ser tão incompreendido e só. Assim como o lado da cama onde você não mais dorme. Assim como os espaços na mesa de jantar que você não mais come. Assim como a vida, onde você não mais existe."

Floresinexatas, Gravity.

Nenhum comentário

Postar um comentário

© adorável psicose
Maira Gall