sexta-feira, 5 de junho de 2015

Um velhinho sentou-se ao meu lado no ônibus essa semana. Eu estava indo pra faculdade e ele voltando pra casa. Ele me contou toda a sua vida, naquele momento eu já sabia mais sobre ele, do que sobre eu mesma. E então ele se levantou e em voz baixa me disse: Passei a vida inteira esperando por alguém que eu só teria se tivesse corrido atrás, e mais uma vez vou voltar pra casa sem ela, como em todas as outras vezes que entrei nesse ônibus somente para vê-la. E ela está sentada logo ali, no primeiro banco, e também está indo pra casa. Só que alguém correu enquanto eu esperava, e agora, esse alguém espera por ela lá. Não perca seu tempo. É frustante chegar em casa e perceber que esqueceu a vida num banco de ônibus.
Deprimentes.

O homem que não tinha nada acordou bem cedo com a luz do sol já que não tem despertador. Ele não tinha nada, então também não tinha medo, e foi pra luta como faz um bom trabalhador. O homem que não tinha nada enfrentou o trem lotado às sete horas da manhã com sorriso no rosto, se despediu de sua mulher com um beijo molhado pra provar do seu amor e pra marcar seu posto. O homem que não tinha nada tinha de tudo: artrose, artrite, diabetes e o que mais tiver. Mas tinha dentro da sua alma muito conteúdo, e mesmo sem ter quase nada ele ainda tinha fé.
Projota.
© adorável psicose
Maira Gall