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" Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava, pra eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo. Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo. Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta, o lençol amarrotado mesmo que vazio. Deixa a toalha na mesa e a comida pronta, só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio. Deixa o coração falar o que eu calei um dia, deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo. Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia, deixa tudo como está e se puder, sem medo. Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço, deixa e quando não voltar eu finjo que não importa. Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito pra dizer te ver ir fechando atrás da porta. Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso. Deixa o meu olhar doente pousado na mesa, deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso. Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa, deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo. Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande, deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo. Se o adeus demora, a dor no coração se expande. Deixa o disco na vitrola pr’eu pensar que é festa, deixa a gaveta trancada pr’eu não ver tua ausência. Deixa a minha insanidade é tudo que me resta, deixa eu por à prova toda minha resistência. Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro, deixa eu contar que era farsa minha voz tranquila. Deixa pendurada a calça de brim desbotado, que como esse nosso amor ao menor vento oscila. Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa. Deixa um último recado na casa vizinha, deixa de sofisma e vamos ao que interessa. Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha, deixa tudo que eu não disse mas você sabia. Deixa o que você calou e eu tanto precisava, deixa o que era inexistente e eu pensei que havia. "

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Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora. Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio. Me atirava do alto na certeza que alguém segurava-me as mãos não me deixando cair. Era lindo , mas eu morria de medo , tinha medo de tudo quase: Cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo do que não ficava para sempre. Antônio Bivar

Só encontro você

Eu exagero nas palavras, mas nos meus versos eu só encontro você.